Sobre a Classes Laboriosas

Um paciente trabalho de pesquisa que mobilizou entre outros órgãos estruturais, fontes da Secretaria Estadual da Cultura do Estado de São Paulo e do Centro de Memória Sindical, além de extensa bibliografia, abriu os caminhos que nos levou a descobrir as origens e a missão da mais antiga entidade beneficente e sem fins lucrativos do País, hoje denominada Associação Auxiliadora das Classes Laboriosas. No ano de 1891, um grupo de carpinteiros e pedreiros se uniu para garantir assistência médica para suas famílias.

A proposta ia além disso. Defender os ideais trabalhistas em relação à jornada de trabalho. É preciso retroagir no tempo para atender tão justa reivindicação. O Estado republicano instalado no Brasil em 1889, em uma sociedade de traços ideológicos marcadamente escravistas, não garantia ao trabalhador outro direito que não o de ser livre para vender sua força de trabalho. Cumprindo longas jornadas que chegavam 14 horas, sem direitos trabalhistas ou outras garantias sociais, o nascente operariado brasileiro no qual se incluía um número significativo de mulheres e crianças não foi aquinhoado com os direitos de cidadão, como o do voto, proibidos às mulheres e analfabetos. Suas reivindicações eram tidas como “desordens” e sobre eles recaiam os preconceitos contra o trabalho manual do estrangeiro grande parte deles eram imigrantes italianos e pobres. Concentrados em bairros operários, em geral formados nas proximidades das fábricas, os trabalhadores desenvolveram formas de vida características, marcadas por profundos laços de solidariedade e identidade.

Em 1919, segundo pesquisas de Helio Negro e Edgard Leunroth, uma família operária de quatro pessoas gastava mensalmente, em São Paulo, cerca de 207$000 (duzentos e sete mil réis, segundo moeda da época), não incluindo gastos com diversão, condução e educação. Considerando que os salários neste ano variavam entre 80$000 e 120$000, o déficit é evidente. A situação de pobreza da maior parte dos operários paulistas pode ser avaliada pelo alto índice de mortalidade infantil e moléstias diretamente ligadas às condições de higiene alimentação, como tuberculose, ou mesmo epidemias, como a gripe espanhola que assolou São Paulo em 1918, fazendo milhares de vítimas.

A Associação de Pedreiros e Carpinteiros se reorganizou abrindo espaços para outros profissionais, razão pela qual o nome foi mudado para Associação Auxiliadora das Classes Laboriosas. Se não atingiu seu ideal trabalhista, pelo menos serviu para reagir contra o descabido “caixa de empresa”, que sugava os proventos dos trabalhadores quando a doença os atingia. Estes injustos descontos empurravam os trabalhadores para as Classes Laboriosas em busca de uma assistência médica digna e barata.

Dois nomes se destacaram pelo idealismo e amor às Laboriosas, Alberto Ferreira Sertié, que foi o responsável pela elaboração do estatuto e Lourenço Francisco Gomes, que adquiriu o terreno para a construção da nova sede. Sertié demonstrou estar engajado com as lutas do seu tempo e ser defensor do mutualismo, sistema que abrigou a filosofia das Classes Laboriosas, ao declarar que pretendia continuar “a prestar sua inteligência em prol desta útil Associação, com esforços redobrados para que todos os companheiros se unissem e se fizessem fortes diante da prepotência do capitalismo”. No início do século as reuniões aconteciam em salões alugados ou até mesmo nas residências de associados. Folclore à parte, a casa  do tesoureiro José Lopes Calça, abrigava as reuniões das Classes Laboriosas na rua Florêncio de Abreu nº 49. O empreendedor Lourenço Francisco Gomes, pôs fim ao problema. Adquiriu o terreno para a edificação do prédio das Classes Laboriosas, na então freguesia da Sé. “O terreno era alto, seco e dele desfrutava-se belíssimo panorama”, enfatizava na ocasião o responsável pela construção do novo prédio.

Para mais informações sobre os planos de saúde, ligue para (11) 2244-3333.

Fonte: Classes Laboriosas